Parada

Um dia comum. Atribulado. Corrido. Visitar pacientes, resolver pendências, orientar pessoas. Encaminhar exames, cobrar resultados, esquecer de comer. Sorrir. Respirar.

Aí vem o grito. Pensa rápido. Parada cardíaca. Encontrar o médico. Aonde está o médico? Aonde está o pulso? Puxar o carrinho. Retirar o familiar do quarto. Encontrar alguém para acalmar o familiar. Ligar o desfibrilador. Colocar oxigênio. Iniciar massagens cardíacas. Agora o quarto está cheio. Tem barulho, muita coisa acontecendo. Aspirar adrenalina. Marcar os minutos. Olha o monitor. Médico intuba. Não para a massagem. Afastar. Choque. ele voltou. Vaga na UTI. Parar o elevador. Levar para a UTI. Arrumar papéis. Chamar a família. Passar plantão. Bater o cartão, sair pelo portão.

PCR

Chega o silêncio. A dor no corpo. Entro no carro e choro. Choro revendo todos os momentos, cada passo. O que foi bom, o que pode melhorar, o que tem que melhorar. Quem sou eu para viver esse tipo de emoção?

Depois de 8 anos cuidando de pessoas, eu já vivi muitos momentos de tensão, alegria e tristeza. Em muitos momentos eu não entendo como fui parar ali. Mas em outros, eu sei que é exatamente aonde eu deveria estar, é o que eu sei fazer e é a maneira que eu encontrei para crescer como pessoa e como profissional.

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