Diário de um estágio

Pré parto. Antes do estágio fiquei com a cabeça a mil, pensando que ia ter várias pacientes e muito trabalho. Chegando lá, foi bem diferente. A maternidade era muito pequena e havia apenas uma mulher em trabalho de parto. Eram 8 da manhã e a dilatação era mínima. Conversamos com ela e ficamos sabendo que não era seu primeiro filho. Um grande sorriso apareceu no meu rosto, achei que o parto seria bem tranquilo. Os médicos resolveram esperar e induzir o parto. Ficamos a manhã toda com ela. Meu plantão acabou e nada do bebê nascer!

No outro dia, fui toda animada conhecer o bebê. Perguntei como foi o parto e ela disse que foi muito difícil e demorado. então ela fez um comentário: “Ainda bem que tinham dois médicos, porque se fosse só a enfermeira ia ser chato, né?” Aquelas palavras mais pareciam um grande e barulhento tapa cara.

Só mais tarde fomos conversar melhor e entender o porque daquela colocação. Depois que eu e minha turma saímos da maternidade, aquela mulher ficou sozinha, sentindo dor e esperando. Esperando sem nem ter uma idéia de quanto tempo mais ela ia ficar ali, sem atenção ou um rosto familiar.

O que eu senti não foi nada perto do que aquela e tantas outras mulheres passam diariamente, em tantos hospitais diferentes. E o pior, existem cada vez mais profissionais que não ligam a mínima pra isso. Precisamos repensar todos os dias as escolhas que fazemos. E mesmo que existam tantas dificuldades no nosso trabalho, é preciso pensar que cuidamos de pessoas que precisam de muito mais do que simplesmente remédios e procedimentos de nome difícil. Elas precisam de respeito, carinho e atenção.

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